Uma loja de redes que passou a cheirar a brasa.
Até aos anos noventa, nesta casa vendiam-se redes, bóias e cordas aos pescadores que ainda atracavam em Miragaia. Quando a Rosa e o Abel a encontraram, em 2013, tinha as portas fechadas e o balcão de madeira ainda lá dentro.
O Abel cresceu na Afurada, do outro lado do rio, a ver o pai grelhar o peixe na rua. A Rosa aprendeu a cozinhar com a avó, em Viana do Castelo. Abriram a Casa Corvina em março de 2014, com oito mesas e um menu escrito à mão.
O menu continua curto de propósito. Compramos o peixe de manhã na lota de Matosinhos e decidimos o que vai para a grelha depois de o ver. Quando acaba, acaba.
O balcão da antiga loja é agora onde se corta o pão. Os azulejos da entrada são os originais, de 1920, e foram a única coisa que não mudámos.

